Do ficar, do partir e… do ficar

Manuel Cruz “Nunca parto inteiramente”

Nunca parto inteiramente

Vivo de duas vontades

Uma que vai na corrente,

A outra presa à nascente

Fica para ter saudades

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3 comentários a “Do ficar, do partir e… do ficar

  1. Genialidade pura.
    O melhor disco português deste século.
    Um talento raro.

    E o Sá da Bandeira continua a permitir mostrar grandes concertos, como o de 12.06.

  2. O caos das palavras da fuga do bandido: um exemplo do que permite: com uma pequena ponte – ou outra forma de problema de expressão:

    Farto das mesmas queixas do mesmo caderno; farto da caneta que me leva ao Inferno.
    Ela é a melhor das canções que eu não fiz para estar no que existe à sua volta.
    Os loucos não têm muros: o limite da soma é o vazio; na rua patética que está sempre a fugir do tempo que passa.
    Não sou luz da Serra nem sombra da luz nem sombra da noite; talvez murmúrio de rio dos sete raios de sol que queimaram o sonho: que não é mais do que rescaldo.
    Estou feliz por estar contigo no momento em que eu procuro uma flor que queira ver crescer.
    Posso cantar-te em verso ou em jeito de lenda?
    Pensa em algo de bom: o mar já nos olhos.
    As nossas ideias são suspiros da terra, presas na tensão, da nossa atenção ao vazio; são as nossas mãos presas aos anéis da razão e do frio; são as nossas mãos presas nos anéis da paixão e do tédio: luar demolido.
    Noções para viver sem ti, do principio da guerra, devorando o esforço ao penetrar no dorso do rio das plantas da terra a chamar por mim.
    Não tens que dar o teu sorriso, nem esgotar o teu juízo assim: a lavar as mãos do mundo que não lavou as tuas.
    Quem me quer mudar não me quer conhecer.
    Eu não tenho nada meu: os cães içados do mar escalam as rochas, os dialectos soltos perderam-se na esplanada dos dias que já não são de ouro.
    Foi no teu amor que algo se perdeu.
    Não tens que ver, já nem sequer de amar: imaginei um abraço: o meu queixo pousado no teu ombro e eu viajando no teu perfume pelos trilhos do silêncio: homem só, cerveja na mão; guitarra na boca, carros a gritar convidando-me para morrer: prefiro não olhar; a chuva nos meus dedos lembra-me para me esconder.
    Chego à casa onde ninguém quer morar, com os pés prontos para não entrar; vejo-me a correr para o fim.
    Os corredores perderam as certezas: não maltratam a paz: – olhem para a verdade!: ela como o Sol, pode cegar; é antiga e muitas são as formas de a sentir – quando tivermos força para calar, talvez haja tempo para escutar.
    Falso Graal.
    A dor de ter de errar: o mergulho de regresso.
    Vou abrindo ao medo as minhas mãos.

  3. Pingback: As palavras da fuga do bandido « PROBLEMA DE EXPRESSÃO

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