Já alguém sentiu a loucura
vestir de repente o nosso corpo?
Já.
E tomar a forma dos objectos?
Sim.
E acender relâmpagos no pensamento?
Também.
E às vezes parecer ser o fim?
Exactamente.
Como o cavalo do soneto de Ângelo de Lima?
Tal e qual.
E depois mostrar-nos o que há-de vir
muito melhor do que está?
E dar-nos a cheirar uma cor
que nos faz seguir viagem
sem paragem
nem resignação?
E sentirmo-nos empurrados pelos rins
na aula de descer abismos
e fazer dos abismos descidas de recreio
e covas de encher novidade?
E de uns fazer gigantes
e de outros alienados?
E fazer frente ao impossível
atrevidamente
e ganhar-Ihe, e ganhar-Ihe
a ponto do impossível ficar possível?
E quando tudo parece perfeito
poder-se ir ainda mais além?
E isto de desencantar vidas
aos que julgam que a vida é só uma?
E isto de haver sempre ainda mais uma maneira pra tudo?
Tu Só, loucura, és capaz de transformar
o mundo tantas vezes quantas sejam as necessárias para olhos individuais
Só tu és capaz de fazer que tenham razão
tantas razões que hão-de viver juntas.
Tudo, excepto tu, é rotina peganhenta.
Só tu tens asas para dar
a quem tas vier buscar.
Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
Allexandre O´Neill
O governo do Afeganistão prepara-se para aprovar uma lei de regulação do direito de família que, entre outras barbaridades, permitirá a violação matrimonial. Um grupo de mulheres saíu à rua em Cabul para protestar contra esta lei e fazer valer os seus direitos. Não faltou quem as apedrejasse.
For hearing all my doubts so selectively and
For continuing my numbing love endlessly.
For helping you and myself: not even considering
For beating myself up and over functioning.
To whom do I owe the biggest apology?
No one’s been crueller than I’ve been to me.
For letting you decide if I indeed was desirable
For myself love being so embarrassingly conditional.
And for denying myself to somehow make us compatible
And for trying to fit a rectangle into a ball.
And
To whom do I owe the biggest apology?
No one’s been crueller than I’ve been to me.
I’m sorry to myself.
My apologies begin here before everybody else.
I’m sorry to myself.
For treating me worse than I would anybody else.
For blaming myself for your unhappiness
And for my impatience when I was perfect where I was.
Ignoring all the signs that I was not ready,
And expecting myself to be where you wanted me to be.
To whom do I owe the first apology?
No one’s been crueller than I’ve been to me.
And
I’m sorry to myself.
My apologies begin here before everybody else.
I’m sorry to myself.
For treating me worse than I would anybody else.
Well, I wonder which crime is the biggest ?
Forgetting you or forgetting myself…
Had I heeded the wisdom of the latter,
I would’ve naturally loved the former.
For ignoring you: my highest voices.
For smiling when my strife was all too obvious.
For being so disassociated from my body,
And for not letting go when it would’ve been the kindest thing.
To whom do I owe the biggest apology?
No one’s been crueler than I’ve been to me.
And
I’m sorry to myself.
My apologies begin here before everybody else
I’m sorry to myself.
For treating me worse than I would anybody else.
I’m sorry to myself.
My apologies begin here before everybody else
I’m sorry to myself.
For treating me worse than I would anybody else
Alanis Morissette “Sorry to Myself”
Ouvi agora mesmo que na TV do futuro será possível interagir (não perguntem como, que não ouvi assim tão bem) com o que estará a ser transmitido no momento, tipo dar um beijo a um actor num filme que estamos a ver (não sei se isto se aplicará a actrizes…). Ora há coisas mesmo do caraças, porque há umas horas atrás e numa espécie de experiência científico-delirante tinha tentado entrar televisor adentro numa vã tentativa de beijar o Mariano. Claro que ele não me ligou nenhuma, por certo ainda magoado com tantos impropérios que em tempos lhe dirigi. Tenho, pois, de me retratar. Enquanto não chega a TV do futuro, resta-me aqui pedir desculpa ao Don Mariano Gonzalez e agradecer-lhe, a ele e ao resto da rapaziada. Que grande, grande jogo!
Imagens do mundo. Imagens de pessoas, famosas, anónimas, importantes, que passaram, que ficaram. Imagens de momentos, de instantes. Imagens de há muito tempo, de ontem, de hoje, de agora. Imagens de sítios. Imagens de histórias. Imagens da História. Pensamentos e sentimentos traduzidos em imagens. Tudo aqui, para descobrir e redescobrir.