Sentido contrário

Agosto 28, 2008

As pessoas deviam ter mais de uma vida ou, pelo menos, uma que pudesse também voltar atrás se necessário. Para corrigir o que saíu mal à primeira, aprender a saborear as poucas horas boas – tal como uma canção que quanto mais se ouve mais se gosta – e, sobretudo, para poder ir primeiro por um lado e depois por outro e depois, sim, seguir pelo caminho encontrado.

Porque assim não dá. O que acontece não pára de nos acontecer e estamos confusos e ficamos perplexos com a vida que levamos e nos faz tanta falta. Para mais com a crescente dificuldade em a reconhecermos como nossa, se é igualmente a dos outros, tão próximos e distantes, com ela misturados desde o começo.

A minha vida, será que eu não sei o que seja? Mesmo nada? Tenho um belo piano de cauda. Já soube, outrora, demonstrar o tão exacto teorema de Pitágoras. Mas estarei sossegado, senão feliz, no dia em que os dias se esgotarem? Se só sabendo o fim é que se sabe a história.

Engraçado é que, quando se começa a falar daquilo que não se sabe, surge a ilusão generosa de que afinal sempre se vai sabendo um bocadinho. Um bocadinho que sabe a pior que nada. Nisto, como em tudo, talvez me engane. Bem gostava.

Não duvido que dois mais dois sejam quatro, que a galáxia tenha dez mil milhões de estrelas, que a baleia azul seja um belo mamífero mergulhando na água, e não, como eu, perdido. que tenho eu a ver com isto? Nada? e eu a tentar dizê-lo, feito parvo muito inteligente.

As pessoas deviam ter mais cuidado. Com o que dizem, com o que fazem. Se bem que se tiverem demasiado cuidado não dizem nem fazem nada. As pessoas deviam ser mais pessoas, embora não me convenha perguntar agora o que quero precisamente dizer com isto. As pessoas deviam estar mais juntas e mais afastadas, consoante os casos, as horas e os sítios. As pessoas deviam ter mais respeito pelo que não lhes diz respeito. Só deviam ver televisão em casa dos vizinhos. Dito isto, a minha vida, as nossas vidas neste momento abraçadas, largam um suspiro que alguém ouve do outro lado.

“Sentido contrário”, Pedro Paixão


Deve ser qualquer coisa como isto…

Agosto 28, 2008


Bom fim-de-semana!

Agosto 22, 2008

Nélson Évora


Momento musical do dia

Agosto 22, 2008

‘Inní mér syngur vitleysingur’, Sigur Ròs


Porque no te callas?

Agosto 22, 2008

Qual é a distância que vai do 8 ao 80?

Agosto 22, 2008

Qual é a distância que vai dos Jogos-embaraçosos-e-cheios-de-falta-de-competência-e-competitividade aos Jogos-com-a-melhor-participação-de-sempre-dos-portugueses? Mais coisa menos coisa, deve ser 17,67 m…


Citius, altius, fortius

Agosto 21, 2008

Foto daqui

17,67 m. 17,67!!! Afinal o rapaz voador é o Nélson Évora. PARABÉNS CAMPEÃO!


Esta não sei se Portugal aguenta…

Agosto 20, 2008

Desânimos olímpicos à parte, estou em crer que a questão que, agora, verdadeiramente se impõe é se Portugal aguentará mais esta desilusão Tony Carreira foi acusado de plagiar vários dos seus maiores êxitos


Será que Portugal aguenta?

Agosto 20, 2008

Portugal anda transtornado. Os Jogos Olímpicos não estão a correr nada bem. Só uma medalha. Ainda por cima, em muitas notícias e comentários é indisfarçável a ponta de desilusão por ser de prata. Em qualquer canto, discutem-se especificidades técnicas de modalidades que, a grande maioria, ignora olimpicamente desde os últimos Jogos ou até desde sempre. Quando a Vanessa ganhou ganhamos todos, quando os outros perderam ingloriamente criticamos e, quando os outros perderam porque simplesmente perderam, falamos de falta de honra, falta de profissionalismo e de brio. As notícias vindas de Pequim não são animadoras e, como já li algures, a coisa enegrece até ao breu, quando transmitidas na voz tenebrosa do Paulo Catarro. Os portugueses criam ilusões sobre o desempenho dos outros. Criam-se sonhos, expectativas. Precisamos urgentemente de heróis, de injecções fortificadas de moral. Precisamos que nos façam sonhar, vangloriar e esquecer desta vida cheia de crises. Inevitavelmente, embora a muito custo, Portugal interiorizará este desânimo. Aprenderá (outra vez) a viver com ele. Portugal sobreviverá. Pelo menos até à próxima vez…


Outras perspectivas

Agosto 19, 2008

Kay Nietfeld / EFE

Yelena Isinbaeva, quando saltava 5,05 m


Back to work…

Agosto 19, 2008


Addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye

Agosto 1, 2008

Depois de adiadas duas vezes, agora parece que é de vez: finalmente FÉRIAS!!!!!